Passei em frente a uma Vitrine e Pensei "Coitada daquela Velhinha" — Até Perceber que Era Eu
Aos 73 anos, eu achava que sumir dentro de moletons largos era só o que acontecia com mulheres da minha idade. Uma mulher da minha aula de hidroginástica me provou que eu estava errada.
Era uma terça-feira de outubro, e eu estava indo ao banco no centro. Passei pela vitrine grande da loja Brennan's, aquela com os casacos de outono, e, pelo canto do olho, vi uma mulher no vidro.
Moletom cinza, dois números maior. Ombros caídos para frente. Braços cruzados apertados no peito como se estivesse com frio, ou escondendo alguma coisa. Ela parecia cansada e pequena, e eu me lembro de pensar, bem claramente, coitada daquela velhinha.
Então ela parou quando eu parei.
E eu tenho vergonha de admitir isso: sentei no banco em frente ao banco e não entrei durante vinte minutos. Fiquei ali sentada, até conseguir confiar na minha voz de novo.
Se você é uma mulher da minha idade, talvez conheça essa sensação: se olhar numa vitrine ou no retrovisor do carro e não reconhecer a mulher que olha de volta. Eu vou te contar o que eu descobri naquele outono, porque isso me devolveu a mim mesma.
O Que Isso Me Tirou
Não aconteceu de uma vez. Aconteceu um moletom largo de cada vez.
Começou com o sutiã. Você conhece a rotina. Às dez da manhã, as alças estão cavando valas nos seus ombros. Ao meio-dia, a cinta está apertando suas costelas tão forte que você se pega prendendo a respiração. Eu tinha começado a jogar os ombros para frente o dia inteiro sem perceber, para tirar o peso daquelas alças. Foi dali que veio aquela postura curvada na vitrine. Não acho que foi a idade. Acho que foram doze anos me curvando para fugir do meu próprio sutiã.
No segundo em que chegava em casa, eu arrancava o sutiã e vestia um moletom. Depois de um tempo, parei de tirar o moletom para sair. Ele escondia tudo: as alças, a marca da cinta, o fato de que, sem sutiã, as coisas se mexiam. Ninguém quer as coisas se mexendo livremente, principalmente na nossa idade. Então eu cruzava os braços e os mantinha cruzados.
Veja o que isso me custou, e eu nunca disse em voz alta:
- Parei de usar cores.
- Parei de usar as blusas que meu marido costumava elogiar.
- Parei de ir almoçar com as amigas, porque almoço significava um sutiã de verdade por três horas.
- Parei de ficar com as costas eretas.
- E, em algum momento ali, parei de me sentir mulher. Eu era só a avó de alguém dentro de um moletom.
Eu achava que era isso que 73 anos parecia. Achava que eu mesma tinha feito isso, que tinha me deixado largar.
É assim que uma mulher acaba não reconhecendo o próprio reflexo.
A Pergunta Que Fiz no Vestiário
A Joana faz hidroginástica comigo. Ela tem 72 anos e está sempre arrumada. Usa uma blusinha ajustada e um casaquinho, fica com as costas retas e sempre tem alguma cor no corpo.
Uma semana depois da vitrine, no vestiário, perguntei a ela. Não planejei. Simplesmente saiu. "Joana, como é que você sempre parece tão confortável?"
Ela riu. "Porque eu estou. Meu sutiã é embutido na blusa." Ela levantou a regata que tinha acabado de tirar, virou do avesso, e havia bojos costurados dentro dela.
Eu quero ser honesta sobre minha reação. Senti um lampejo de algo perto da raiva. Eu já comprei todo "sutiã confortável" que já anunciaram. Comprei as camisetas com aquela "prateleira" de espuma que dobra ao meio na lavagem. Cada uma delas prometeu me devolver a vida e me deu mais um motivo para me sentir boba.
"Não é para mim", eu disse.
A Joana disse: "Foi o que eu disse também", e anotou o nome no verso do meu horário de aula.
Ficou na bancada da minha cozinha por uma semana. Depois pedi uma, mais para parar de pensar na vitrine. Quando chegou, vesti pela cabeça, me virei para o espelho do quarto e abaixei os braços.
E simplesmente fiquei parada.
O Que a Joana Sabia e Eu Não
Não é uma camiseta com prateleira. É feita de um jeito completamente diferente, e, assim que entendi como, entendi a vitrine.
Um sutiã normal te sustenta apertando. A cinta em volta das costelas tem que ser apertada, porque é a cinta que faz o levantamento. O que ela não levanta fica pendurado em duas alças finas, e são essas alças que me fizeram me curvar durante doze anos.
Nesta regata, bojos de verdade, com formato, são costurados dentro, fixos no lugar para não torcer nem dobrar. A própria regata faz o trabalho que a cinta fazia.
Igualmente importante é o que não tem:
Não tem cinta nas costas. Nada apertando suas costelas, e nenhum motivo para prender a respiração.
Não tem aro. Nada espetando.
Não tem colchetes nem fechos. Veste pela cabeça em dez segundos.
Alças largas e chatas. Nada para você se curvar e tentar escapar. Reparei que meus ombros voltaram para trás naquela primeira manhã, sozinhos.
Usei o dia inteiro. Na hora do almoço, já tinha esquecido que estava com ela. Isso nunca me aconteceu com um sutiã, nenhuma vez em sessenta anos.
A Regata com Sutiã Embutido Que as Mulheres Acima dos 70 Estão Elogiando
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- Bojos de verdade costurados dentro, para sustentação de verdade
- Sem aro, sem cinta, sem colchetes nem fechos
- Alças largas e chatas que ficam no lugar
- Garantia de 45 dias — trocamos até ficar certo
Por Que Eu Nunca Ouvi Falar Disso?
Essa foi minha pergunta seguinte. Se isso existe, por que nem toda mulher da minha hidroginástica tem uma?
É uma empresa pequena chamada Avora — sem lojas, sem balcão em shopping, nada na televisão. Vendem pelo site e, pelo que eu entendo, crescem quase totalmente do jeito que eu as descobri: uma mulher contando para a outra no vestiário. Filhas comprando para as mães. Amigas depois da igreja.
E tem um motivo prático também: não conseguem manter em estoque. Quando voltei para pedir mais, a cor branca estava esgotada no meu tamanho — a reposição acontece mais ou menos duas vezes por mês, e a branca é sempre a primeira a sair. A Joana tinha me avisado. Eu também não escutei.
"Tudo Bem — Mas Ela Sustenta Mesmo?"
Minha filha, a Lisa, me perguntou isso, e é a pergunta certa. Macio é fácil. Sustentar é onde cada coisa "confortável" que eu já comprei fracassou.
Então minha resposta honesta, cinco meses depois: sim.
Os bojos são costurados, então eles mantêm o formato e te sustentam o dia inteiro. Já limpei a casa com ela, cuidei do jardim com ela e fiz uma hora de hidroginástica e a volta de carro para casa com ela. Nada sai do lugar. Quando a Avora perguntou às clientes, 98% disseram que a sustentação é igual ou melhor que a do sutiã com aro.
Debaixo da roupa não aparece: sem marca, sem alça, sem cinta nas costas. Só uma blusinha lisa e simples.
Não Precisa Acreditar Só em Mim
"Meu marido perguntou por que a mesma blusa ficava chegando em cores diferentes. Eu respondi: porque faz três meses que não uso sutiã e eu não volto mais."
"Eu tenho um ombro mais caído e a alça do sutiã escorrega dele a minha vida inteira. Com essa, não. Tenho 82 anos e esperei muito, muito tempo, para ficar confortável."
"Eu ficava toda manhã na frente da cômoda tentando descobrir qual sutiã combinava com a roupa. Agora pego uma regata e já estou vestida. Faz meses que não abro a gaveta dos sutiãs."
"Comprei uma para testar porque não acreditava nas promessas de sustentação. Usei no jardim por seis horas no calor. Voltei no site e pedi o pacote de cinco na mesma noite."
O Dia Que Passei em Frente Àquela Vitrine de Novo
Ela é cortada mais comprida que uma regata comum, então não sobe, e a barra é acabada para parecer uma blusa de verdade. Vem em onze cores: preto, branco e bege, mas também turquesa, azul-claro, amarelo-claro, roxo e vinho. Comprei a bege primeiro, para usar por baixo de tudo — e uma turquesa no mesmo pedido, a primeira coisa colorida que eu tinha comprado para mim em anos.
Três semanas depois de ela chegar, usei a bege no centro, com um casaquinho aberto por cima e os braços ao lado do corpo.
Passei pela vitrine da Brennan's de propósito.
Havia uma mulher com uma blusa simples e um casaquinho aberto, com as costas retas, parecendo alguém que estava indo a algum lugar. Levei um segundo para reconhecê-la, também, mas pelo motivo oposto.
Fui almoçar com as amigas naquela sexta. A Joana me viu entrar e disse: "Olha a Marilena aí." Eu não tinha percebido o quanto fazia tempo que eu tinha sumido.
Suas Perguntas, Respondidas (Eram as Minhas Também)
"E se não servir?" O tamanho é fiel, então peça o seu tamanho de costume. Se estiver entre dois, peça o maior. Todo pedido tem garantia de 45 dias — trocamos até ficar certo — se o tamanho ou o caimento não estiver bom, eles trocam ou devolvem o dinheiro.
"E o tecido, de verdade?" É uma mistura macia de alto desempenho, aveludada e que respira. Vai na máquina sem os bojos dobrarem, porque são costurados, e seca da noite para o dia no cabide.
"Vale o preço?" Eu já tinha gastado centenas em sutiãs que me jogaram dentro de moletons. Uma regata custa R$ 199,90, com desconto do valor cheio de R$ 399,90. Mas quase ninguém compra só uma: leve 2 e ganhe 1 (R$ 399,80), ou leve 3 e ganhe 2: cinco regatas por R$ 599,70. Isso dá cerca de R$ 120 por regata, menos do que eu gastei nos moletons em que eu me escondia.
Por Que Eu Pediria Agora, Não "Um Dia Desses"
Perdi doze anos para "um dia desses". Um dia desses eu me arrumo de novo. Um dia desses eu ligo para as amigas. Então vou ser direta sobre o momento:
- A reposição é mais ou menos duas vezes por mês, e esgota entre uma reposição e outra. A branca e os tamanhos mais comuns vão primeiro. Se o seu tamanho está disponível agora, pode não estar na semana que vem. Eu esperei quase três semanas pela branca.
- Não há nada a proteger esperando. A garantia de 45 dias significa que, se o tamanho ou o caimento não estiver bom, eles trocam ou devolvem o dinheiro. Esperar não deixa mais seguro. Só significa mais dias dentro da cinta.
- Cada dia que você espera é mais um dia de alças. Mais um dia de braços cruzados e moletom.
Se Você Está Pensando em Experimentar Uma
- Toque no botão abaixo para ver o que está em estoque agora.
- Escolha suas cores. Eu começaria com uma colorida. Peça seu tamanho de costume, e vá para o maior se estiver entre dois.
- Escolha leve 3 e ganhe 2 se estiver disponível. A R$ 120 a regata, você vai querer uma para cada dia.
- Ela chega na sua casa com a garantia de 45 dias. Se o tamanho ou o caimento não estiver bom, eles trocam ou devolvem o dinheiro.
Tenho 73 anos. Passei doze anos acreditando que tinha me deixado largar. Não tinha. Eu estava me escondendo de um sutiã. A gente conquistou o direito de ficar com as costas retas nas nossas próprias roupas, e isso aqui foi feito exatamente para nós.
Os moletons cinzas estão numa sacola para a doação da igreja.
Não precisei de nenhum desde então.
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- Bojos de verdade costurados dentro, para sustentação de verdade
- Sem cinta apertando as costelas, e sem alças para você se curvar
- Nada para prender: veste pela cabeça
- Onze cores, corte comprido, com barra acabada
- Garantia de 45 dias — trocamos até ficar certo
A história da Marilena é um composto baseado em avaliações e respostas de
pesquisa de clientes da Avora. As experiências individuais variam.
Aviso
legal: As informações desta página são apenas para fins informativos e não têm o
objetivo de servir como aconselhamento médico. Não devem substituir uma consulta, diagnóstico ou
tratamento profissional. Procure sempre a orientação de um profissional de saúde qualificado
para qualquer condição médica.